Notícias do Norte do Espírito Santo 22/07/2026 · Conteúdo atualizado pela redação
Política

ONU aponta queda da fome mundial, mas 645 milhões ainda vivem sem comida suficiente

Relatório de cinco agências internacionais mostra melhora pelo terceiro ano seguido, com alerta para desigualdades regionais e insegurança alimentar.

Fome mundial atinge 645 milhões de pessoas, diz relatório da ONU
Fome mundial atinge 645 milhões de pessoas, diz relatório da ONU · Crédito: Agência Brasil

A fome no mundo recuou pelo terceiro ano consecutivo, mas ainda alcançou 645 milhões de pessoas em 2025. O dado faz parte do relatório O Estado da Segurança Alimentar e Nutrição no Mundo 2026, conhecido pela sigla em inglês SOFI, divulgado nesta terça-feira (21), na sede da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), em Roma, durante a 30ª Sessão do Comitê de Agricultura da entidade.

O levantamento foi elaborado por cinco organismos internacionais: FAO, Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola, Organização Mundial da Saúde, Programa Mundial de Alimentos e Unicef. Em relação a 2024, o número de pessoas em situação de fome caiu em quase 14 milhões. Na comparação com 2022, a redução chega a 43 milhões. Mesmo com a melhora, o relatório mostra que 7,8% da população mundial ainda sofreu com fome em 2025, percentual menor que os 8,1% registrados em 2024.

Avanço existe, mas ritmo ainda preocupa

A divulgação foi acompanhada de alertas sobre a necessidade de acelerar as respostas públicas. O diretor-geral da FAO, Qu Dongyu, defendeu que a superação da fome depende de prioridade política, investimentos contínuos e medidas capazes de tornar alimentos saudáveis mais acessíveis à população. A ministra do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar do Brasil, Fernanda Machiaveli, também participou da sessão e afirmou que a fome pode ser evitada quando governos colocam o combate à pobreza e à desigualdade no centro das decisões.

Para o leitor brasileiro, inclusive no Norte do Espírito Santo, o relatório tem impacto direto como referência para políticas de saúde, assistência social, agricultura e abastecimento. Embora os dados apresentados sejam globais e não tragam recorte específico por estado ou município, eles ajudam a dimensionar um problema que se reflete no cotidiano das famílias: a dificuldade de manter refeições em quantidade suficiente e com qualidade nutricional adequada.

Insegurança alimentar atinge 2,1 bilhões

Além da fome, o estudo mede a insegurança alimentar moderada ou severa, situação em que as pessoas passam a comer menos do que precisam para uma vida saudável ou substituem alimentos por opções de pior qualidade nutricional. Em 2025, cerca de 2,1 bilhões de pessoas estavam nessa condição, o equivalente a 25,8% da população mundial. O percentual caiu em relação a 2024, quando era de 27,1%, e também ficou abaixo dos 28,7% de 2020.

Em números absolutos, a melhora representa quase 86 milhões de pessoas a menos nessa situação na comparação com 2024 e 135 milhões a menos em relação a 2020. Ainda assim, o relatório aponta que o mundo não retornou aos níveis anteriores à pandemia, o que mantém o tema como prioridade para governos e organismos internacionais. Na prática, a insegurança alimentar é um sinal de vulnerabilidade que pode afetar a saúde, o desenvolvimento de crianças e a capacidade de trabalho de adultos.

A recuperação, porém, não ocorre de forma igual entre as regiões do planeta. Segundo a FAO, Ásia, América Latina e Caribe registraram avanços graduais nos últimos três anos. A África, por outro lado, concentra atualmente o maior número absoluto de pessoas famintas, em um cenário de crescimento populacional acelerado. Em 2025, uma em cada cinco pessoas no continente africano enfrentou a fome, o que corresponde a aproximadamente 309 milhões de habitantes.

Quando o indicador analisado é a insegurança alimentar moderada ou severa, a desigualdade regional também fica evidente. Mais da metade da população africana, 56,6%, vivia nessa condição em 2025. Na América Latina e no Caribe, o percentual foi de 22,9%. Na Ásia, chegou a 20,3%. Já na América do Norte e Europa, o índice ficou em 8,7%. O relatório também destaca que a insegurança alimentar continua mais presente nas áreas rurais do que nas urbanas e periféricas, além de atingir de forma mais intensa as mulheres.

O principal recado do levantamento é que a queda nos indicadores mostra possibilidade de avanço, mas não permite acomodação. Para a população, o tema se traduz em acesso regular a alimentos, qualidade da dieta e proteção social. Para os governos, os dados reforçam a necessidade de políticas permanentes que integrem produção de alimentos, renda, saúde e atenção às famílias mais vulneráveis.

Tema sensível: confira linguagem, direito de resposta e dados oficiais antes de repercutir.

Fonte: Agência Brasil — https://agenciabrasil.ebc.com.br/direitos-humanos/noticia/2026-07/fome-mundial-atinge-645-milhoes-de-pessoas-diz-relatorio-da-onu

R
Redação

Conteúdo revisado pela redação do Tribuna Norte, com foco em serviço público, contexto regional e leitura clara.

Assistente Tribuna Norte

Escolha o que você quer resolver. Eu registro o pedido e encaminho para o fluxo certo.

Abrir portal Anuncie