Notícias do Norte do Espírito Santo 23/07/2026 · Conteúdo atualizado pela redação
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Petróleo passa de US$ 100 após ataques no Mar Vermelho e acende alerta para inflação

Bloqueio houthi a navios sauditas pressiona rotas de energia e pode encarecer combustíveis e fretes no mundo.

Preço do petróleo supera os US$ 100 após ataques no Mar Vermelho
Preço do petróleo supera os US$ 100 após ataques no Mar Vermelho · Crédito: Agência Brasil - Internacional

O preço internacional do petróleo voltou a subir com força nesta quinta-feira (23), após ataques dos houthis, grupo do Iêmen, contra navios da Arábia Saudita no Mar Vermelho. O barril do tipo Brent registrou alta de 6% e chegou a ser negociado a US$ 101 no início da tarde. A escalada ocorre em meio ao agravamento da guerra no Oriente Médio e ao bloqueio do Estreito de Bab el-Mandeb para embarcações sauditas.

A movimentação preocupa porque atinge uma das regiões mais sensíveis do comércio global de combustíveis. O Mar Vermelho e o Estreito de Bab el-Mandeb fazem parte de uma rota estratégica para o transporte marítimo de petróleo e derivados. Segundo a Agência Internacional de Energia, cerca de 10% do comércio marítimo de petróleo passa por essa área.

Rota bloqueada amplia pressão sobre a oferta

A alta atual acontece depois de cinco meses de redução na oferta mundial de petróleo, em um cenário marcado pelo início da agressão dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, em 28 de fevereiro. As tensões já tinham levado ao fechamento do Estreito de Ormuz, passagem por onde circulavam 20% do comércio marítimo de combustíveis.

Após a assinatura de um memorando de entendimento entre Irã e Estados Unidos, em 17 de junho, o mercado chegou a aliviar parte da pressão. O Brent recuou até US$ 70 em 1º de julho, o menor patamar desde o começo da guerra. Desde então, porém, a cotação voltou a subir e acumula avanço de 42%, segundo as informações reunidas pela Agência Brasil.

A diretora técnica do Instituto de Estudos Estratégicos em Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, Ticiana Álvares, avaliou que o bloqueio da passagem no Mar Vermelho para a Arábia Saudita tem peso significativo. Ela explicou que, diante das restrições no Estreito de Ormuz, os sauditas vinham utilizando uma alternativa de escoamento por oleoduto até o Mar Vermelho. Com o fechamento de Bab el-Mandeb, essa saída fica comprometida.

O impacto pode atingir diferentes mercados. A Arábia Saudita está entre os maiores produtores globais de petróleo, e restrições ao seu escoamento tendem a afetar a oferta para países que utilizam o petróleo saudita na produção de combustíveis, como gasolina e diesel. A especialista também chamou atenção para o risco de alta nos fretes caso o fechamento se torne mais amplo, já que a rota do Mar Vermelho é usada no envio de produtos da Ásia para a Europa.

O que pode mudar para o consumidor

Para o leitor do Norte do Espírito Santo, o efeito não é imediato nem automático, mas o alerta está no custo dos combustíveis, no transporte de mercadorias e na inflação. Quando o petróleo sobe no mercado internacional, cresce a pressão sobre cadeias que dependem de diesel, gasolina e frete. Isso pode repercutir no preço de produtos transportados por caminhões e em serviços que têm combustível como item relevante de custo.

O diretor do Instituto de Altos Estudos de Geopolítica, Segurança e Conflitos, Rodolfo Queiroz Laterza, afirmou à Agência Brasil que a Arábia Saudita tende a sofrer perdas econômicas expressivas. Segundo sua análise, o bloqueio pode agravar problemas nas cadeias logísticas de abastecimento e atingir economias dependentes da importação de petróleo e derivados.

O professor de relações internacionais da PUC Minas, Danny Zahreddine, avalia que o fechamento da passagem pelos houthis marca uma nova etapa do conflito. Para ele, a disputa entra em um ciclo de pressão entre os Estados Unidos, seus aliados e o Irã, com potencial de provocar um choque ainda maior na distribuição do petróleo. Os houthis mantêm aliança com o Irã, enquanto a Arábia Saudita é aliada histórica dos Estados Unidos e rival regional de Teerã.

Diante desse cenário, a orientação prática para o cidadão é acompanhar a evolução dos preços dos combustíveis e dos produtos com maior dependência de transporte. Ainda não há, no material disponível, previsão de normalização da rota ou de novas datas de negociação. O próximo ponto de atenção será a duração do bloqueio e se ele ficará restrito aos navios sauditas ou se afetará de forma mais ampla o tráfego pelo Mar Vermelho.

Tema sensível: confira linguagem, direito de resposta e dados oficiais antes de repercutir.

Fonte: Agência Brasil - Internacional — https://agenciabrasil.ebc.com.br/internacional/noticia/2026-07/preco-do-petroleo-supera-os-us-100-apos-ataques-no-mar-vermelho

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Conteúdo revisado pela redação do Tribuna Norte, com foco em serviço público, contexto regional e leitura clara.

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