Notícias do Norte do Espírito Santo 24/07/2026 · Conteúdo atualizado pela redação
Política

Brasil contesta nova tarifa dos EUA e admite reação por reciprocidade

Sobretaxa de 12,5% começa a valer nesta sexta (24) e pode elevar cobrança a 37,5% para parte das exportações brasileiras.

Ministro chama tarifa dos EUA de "indevida" e promete reação
Ministro chama tarifa dos EUA de "indevida" e promete reação · Crédito: Agência Brasil

O governo brasileiro reagiu à decisão dos Estados Unidos de aplicar uma nova tarifa de 12,5% sobre produtos do Brasil. O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, classificou a cobrança como indevida e afirmou que a justificativa apresentada por Washington não corresponde à realidade brasileira. A posição foi divulgada após o anúncio da medida, feito pelo governo norte-americano nesta quinta-feira (23).

A nova alíquota começa a valer nesta sexta-feira (24). Para parte das exportações brasileiras, ela será somada a uma tarifa de 25% que entrou em vigor nesta semana, o que pode levar a cobrança total a 37,5%. O governo brasileiro informou que tentará reverter a decisão por meio de negociação, mas também admite recorrer a instrumentos de reciprocidade previstos em lei caso o impasse não seja resolvido.

Justificativa dos EUA é contestada pelo Brasil

Os Estados Unidos alegam que o Brasil não teria mecanismos suficientes para impedir a entrada, em sua cadeia produtiva, de produtos fabricados com trabalho forçado. O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços rejeitou essa avaliação. Segundo a pasta, o país mantém políticas de prevenção, fiscalização e enfrentamento ao trabalho escravo, além de compromissos internacionais relacionados ao trabalho digno e aos direitos humanos.

Na avaliação do ministro, a medida norte-americana foi construída a partir de uma premissa equivocada. Ele afirmou que o Brasil não apoia nem tolera práticas de trabalho forçado e que possui histórico de atuação nessa área. A contestação brasileira também busca evitar que a tarifa seja interpretada como resposta a uma falha estrutural do país, argumento que o governo considera sem base.

Setores atingidos e produtos fora da cobrança

Apesar de haver produtos isentos, o MDIC informou que diversos segmentos da indústria brasileira devem ser afetados pela cobrança acumulada. Entre os setores citados estão calçados, máquinas, equipamentos, peças, componentes, confecções e produtos químicos que não sejam farmacêuticos. Para esses casos, a soma das duas tarifas pode chegar a 37,5%, elevando o custo de entrada no mercado norte-americano.

Por outro lado, itens importantes da pauta exportadora brasileira permanecem fora tanto da tarifa de 25% quanto da nova sobretaxa de 12,5%. O ministério citou carne bovina, café, suco de laranja e frutas entre os produtos que não serão alcançados pelas duas medidas. Ao todo, cerca de 2 mil produtos exportados pelo Brasil aos Estados Unidos ficaram isentos das cobranças, segundo as informações divulgadas pela pasta.

Para empresas brasileiras, inclusive as que atuam no Norte do Espírito Santo em cadeias ligadas à indústria, ao comércio exterior ou ao fornecimento de insumos, o principal ponto de atenção é verificar se seus produtos entram nas listas de incidência ou de isenção. Como o próprio ministério informou que ainda não há uma relação completa dos itens que sofrerão dupla tarifação, exportadores e prestadores de serviço ligados ao setor devem acompanhar as atualizações oficiais nos próximos dias.

O impacto para o leitor pode aparecer de forma indireta, especialmente em empresas que vendem para o exterior, fornecem componentes para indústrias exportadoras ou dependem de contratos com o mercado norte-americano. Tarifas mais altas tendem a reduzir competitividade, pressionar margens e exigir revisão de estratégias comerciais. No entanto, o alcance real da medida ainda depende da identificação final dos produtos afetados e do resultado das conversas entre os governos.

O governo brasileiro afirma que a prioridade é negociar com Washington para derrubar ou alterar as tarifas. Ao mesmo tempo, o ministro reforçou que o país não pretende abrir mão da Lei de Reciprocidade Econômica, sancionada neste ano para permitir respostas a medidas comerciais consideradas injustificadas. A eventual adoção de contramedidas, porém, dependerá da evolução das tratativas. Nos próximos dias, o MDIC continuará levantando quais produtos serão atingidos simultaneamente pelas duas sobretaxas.

Tema sensível: confira linguagem, direito de resposta e dados oficiais antes de repercutir.

Fonte: Agência Brasil — https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-07/ministro-chama-tarifa-dos-eua-de-indevida-e-promete-reacao

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Redação

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