Os mercados financeiros terminaram a quinta-feira (16) sob maior cautela, em meio ao fortalecimento global do dólar, à confirmação de tarifas dos Estados Unidos sobre parte das exportações brasileiras e ao aumento das tensões geopolíticas. A moeda norte-americana fechou vendida a R$ 5,098, alta de 0,40%, depois de chegar a R$ 5,11 por volta das 14h15 e perder força no fim do pregão.
Apesar da valorização no dia, o dólar ainda acumula queda de 7,12% em 2026. O movimento desta quinta foi influenciado principalmente pelo cenário externo. Indicadores divulgados nos Estados Unidos reforçaram a percepção de que a economia do país segue resistente, com mercado de trabalho firme e consumo sustentado, o que reduz as apostas em alívio rápido dos juros norte-americanos.
Juros nos EUA e tarifa sobre exportações pesam no câmbio
Entre os dados observados pelos investidores, os pedidos semanais de auxílio-desemprego nos Estados Unidos somaram 208 mil, abaixo da expectativa de 217 mil. Já as vendas no varejo avançaram 0,2% em junho, dentro do esperado. Com esse quadro, a moeda dos Estados Unidos ganhou força frente a divisas de economias emergentes, como o real.
No ambiente doméstico, o mercado também reagiu à confirmação de uma tarifa de 25% aplicada pelos Estados Unidos a parte dos produtos brasileiros exportados. A lista de exceções foi mais ampla do que se esperava inicialmente, deixando de fora itens como aeronaves, óleo, café e carne. Ainda assim, a medida elevou a percepção de risco sobre setores atingidos e sobre o fluxo de dólares ligado ao comércio exterior. O governo brasileiro, conforme noticiado, afirma não ver justificativa para a cobrança.
Para o leitor, a alta do dólar importa porque a moeda serve de referência para uma série de preços e decisões do dia a dia. Viagens internacionais, compras em sites estrangeiros, produtos importados e insumos cotados em dólar podem ficar mais caros quando o câmbio sobe. Empresas que dependem de importações também tendem a acompanhar de perto esse movimento, pois variações cambiais afetam custos e planejamento.
Bolsa recua e petróleo cai mesmo com tensão no Oriente Médio
A aversão ao risco também atingiu a bolsa brasileira. O Ibovespa, principal índice da B3, encerrou o pregão aos 173.825,27 pontos, queda de 1,24%. Na semana, a perda acumulada chegou a 2,27%, embora o índice ainda avance 7,88% no ano. O desempenho acompanhou o tom negativo visto em Wall Street e refletiu dúvidas sobre os efeitos do tarifaço norte-americano e sobre uma eventual resposta brasileira por meio da Lei da Reciprocidade.
As ações de maior peso no índice contribuíram para o resultado negativo. Os papéis da Petrobras, entre os mais negociados da bolsa, recuaram junto com o petróleo no mercado internacional. Ações de mineradoras também perderam valor, em linha com a queda do minério de ferro. Para quem investe, inclusive por fundos ou previdência com renda variável, dias como este mostram como decisões externas podem afetar aplicações no Brasil.
No mercado de energia, o petróleo terminou em baixa, mesmo com a escalada de tensões no Oriente Médio. O Brent, referência internacional, fechou a US$ 84,23, queda de 0,85%. O WTI, negociado no Texas, terminou a US$ 78,95, recuo de 0,82%. Durante o dia, os preços oscilaram com as ameaças dos houthis, no Iêmen, contra instalações petrolíferas da Arábia Saudita e com o risco de problemas em rotas estratégicas como o Mar Vermelho e o Estreito de Ormuz.
Na prática, investidores seguem atentos à possibilidade de interrupções na oferta global de petróleo, ainda que os contratos tenham caído nesta sessão. Para consumidores e empresas no Norte do Espírito Santo e em todo o país, o acompanhamento do câmbio, da bolsa e das commodities ajuda a entender pressões que podem chegar aos custos, ao crédito, aos investimentos e ao comércio nos próximos dias.
Fonte: Agência Brasil — https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-07/dolar-encosta-em-r-510-com-tarifaco-e-tensao-global