Notícias do Norte do Espírito Santo 17/07/2026 · Conteúdo atualizado pela redação
Política

Fim da Moratória da Soja pode ampliar desmatamento na Amazônia, aponta estudo

Artigo na Science estima perda adicional de 1,4 milhão de hectares em dez anos e defende manutenção do acordo

Fim da Moratória da Soja pode ampliar destruição da Amazônia
Fim da Moratória da Soja pode ampliar destruição da Amazônia · Crédito: Agência Brasil

Um artigo publicado na revista Science acendeu um alerta sobre os possíveis efeitos do fim da Moratória da Soja na Amazônia. Segundo o estudo, a interrupção do acordo pode levar ao desmatamento adicional de 1,4 milhão de hectares nos próximos dez anos, uma área que representaria aumento de 14% em relação às taxas históricas de perda florestal. A projeção também aponta a emissão de cerca de 745 milhões de toneladas de CO₂ equivalente, volume comparável ao total emitido anualmente pelo Canadá.

A Moratória da Soja é um compromisso voluntário firmado entre empresas, sociedade civil e governo para impedir a compra de soja produzida em áreas da Amazônia desmatadas a partir de 2008. O mecanismo se tornou uma das principais referências no debate sobre produção agropecuária, conservação ambiental e acesso a mercados que exigem rastreabilidade. Para o leitor e para agentes econômicos de todo o país, inclusive no Norte do Espírito Santo, o tema importa porque envolve preços, competitividade, exportações, imagem ambiental do Brasil e segurança climática.

Pressão sobre florestas públicas

Além da perda direta de vegetação, os pesquisadores alertam que o encerramento do acordo pode estimular pressões sobre áreas com potencial de expansão agrícola e maior vulnerabilidade à especulação fundiária. A estimativa é que até 28,7 milhões de hectares de florestas públicas possam ser afetados, principalmente em regiões que podem se tornar mais atrativas com a futura expansão de infraestrutura.

O estudo foi elaborado por pesquisadores ligados ao WWF Brasil, Greenpeace Brasil, Land Conservation Association e universidades dos estados de Wisconsin e Illinois, nos Estados Unidos. A análise também considera os efeitos já observados desde a criação da Moratória. Nos primeiros dez anos, o acordo reduziu em 35% o desmatamento em áreas sob risco de expansão da soja. A área de floresta preservada por causa do mecanismo foi estimada em 1,8 milhão de hectares.

O pesquisador Tiago Reis, do WWF-Brasil, avalia que a experiência demonstra a possibilidade de conciliar crescimento agrícola com critérios de conservação. Na avaliação dele, o desafio atual é manter instrumentos que ajudem a conter o desmatamento dentro de uma estratégia de desenvolvimento para o país. A discussão ocorre em um cenário em que alertas de desmatamento na Amazônia registraram queda de 35% em junho de 2026, conforme notícia relacionada ao tema.

Impactos econômicos e serviço ao produtor

Uma das críticas analisadas pelo artigo é a de que a Moratória teria restringido oportunidades econômicas para produtores rurais. Os autores afirmam que os efeitos diretos foram limitados: cerca de 739 mil hectares de áreas aptas à soja foram desmatados legalmente depois de 2008, e a maior parte não estava em propriedades que produzem soja. A pesquisa também identificou aproximadamente 1,7 milhão de hectares de áreas já abertas e adequadas ao cultivo na Amazônia, o que permitiria ampliar a produção sem avançar sobre novas áreas de floresta.

Outro ponto avaliado foi a suspeita de que o acordo teria gerado distorções de mercado ou funcionado como um cartel entre compradores. Para testar essa hipótese, os pesquisadores compararam os preços pagos a produtores em municípios cobertos pela Moratória com os de regiões vizinhas fora do acordo. A conclusão apresentada é que o mecanismo não reduziu a remuneração dos produtores nem provocou desequilíbrios de preço.

Na prática, a pesquisa indica que produtores, tradings, compradores e consumidores devem acompanhar de perto regras de origem e rastreabilidade da soja. Mercados nacionais e internacionais têm aumentado exigências ambientais, e cadeias produtivas associadas ao desmatamento tendem a enfrentar mais questionamentos. Para quem produz ou negocia commodities, o estudo reforça que áreas já abertas podem ser o caminho para expandir a produção com menor risco ambiental, jurídico e comercial.

O debate sobre a continuidade da Moratória da Soja, portanto, vai além da Amazônia. Ele envolve a posição do Brasil na economia global, a credibilidade de suas cadeias produtivas e a preservação de serviços ambientais que também sustentam a agricultura, como equilíbrio climático e disponibilidade de água. A mensagem central do artigo é que produzir mais e conservar a floresta não precisam ser metas opostas, desde que a expansão seja orientada por transparência, responsabilidade compartilhada e controle efetivo sobre novas áreas desmatadas.

Tema sensível: confira linguagem, direito de resposta e dados oficiais antes de repercutir.

Fonte: Agência Brasil — https://agenciabrasil.ebc.com.br/meio-ambiente/noticia/2026-07/fim-da-moratoria-da-soja-pode-ampliar-destruicao-da-amazonia

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